O maior acesso à compra da casa própria aparece também no mercado de locação. Um em cada quatro inquilinos da cidade São Paulo devolveu o imóvel no ano passado ao proprietário porque comprou a sua própria casa, revela uma levantamento feito pela Lello, especializada na administração de imóveis. A enquete consultou cerca de 1.500 locatários entre janeiro e novembro de 2011 para descobrir o motivo da entrega das chaves na imobiliária.
Roseli Hernandes, diretora da imobiliária, observa que, nos últimos três anos, a fatia de inquilinos que entregou o imóvel porque conseguiu comprar a casa própria só tem crescido. Em 2009, esse índice era de17,8%; subiu para 20% em 2010 e atingiu 26% no ano passado.
'Essa tendência deve continuar', diz Roseli. Na sua avaliação, a maior oferta de crédito imobiliário por parte dos bancos e o programa habitacional do governo, Minha Casa Minha Vida, facilitaram a compra de imóveis para uso próprio.
Com o mercado de locação aquecido, ela conta que os imóveis desocupados por inquilinos que compraram a casa própria são novamente alugados com muita rapidez.
'Dependendo da localização, o número de dormitórios e o estado de conservação, há unidades que são alugadas na mesma semana em que ficam vagas', observa Roseli.
Subsídio. A bancária Valéria Cavalcante, de 31 anos, casada e mãe da pequena Júlia de 1 ano e 8 meses, é um exemplo de inquilina que foi para a casa própria.
Ela acaba de mudar com o marido e a filha para um apartamento de dois dormitórios na zona leste, depois de morar dois anos de aluguel. 'Comprei o apartamento na planta em 2009 e peguei as chaves em dezembro do ano passado', conta a bancária.
Ela diz que conseguiu comprar a casa própria porque obteve subsídios do programa habitacional do governo. 'Nunca pensei que conseguiria comprar a casa própria.'
Valéria deu uma entrada de cerca de R$ 30 mil e financiou o restante em 25 anos, com prestações mensais de R$ 750. 'Mas pretendo quitar o apartamento antes desse prazo, usando os recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço)', calcula, observando que o valor da prestação será decrescente.
Com o aluguel e condomínio, ela desembolsava cerca de R$ 700 por mês, mais do que irá gastar com a prestação da moradia própria.
'Pagar aluguel é um dinheiro perdido porque, no final das contas, a casa não é sua', diz a ex-inquilina.
A animadora cultural Silene Amorim Monteiro, de 42 anos, casada e com uma filha de 7 anos, Sofia, é outra que comprou a casa própria em dezembro, depois de morar por três anos num apartamento alugado, pagando R$ 1,5 mil por mês, incluindo as despesas de condomínio.
Pelo imóvel que comprou, avaliado em R$ 247 mil, vai desembolsar mensalmente R$ 2,2 mil. O prazo do financiamento é bem longo, de 30 anos. Mas ela, assim como a bancária Valéria, pretende quitar a dívida antes do prazo previsto.
'O aluguel foi uma conveniência', diz ela, relatando que optou pelo imóvel alugado porque era mais cômodo morar no centro, próximo do trabalho e da escola da filha. Na época, vendeu um imóvel no Capão Redondo por R$ 70 mil e decidiu morar num apartamento alugado. 'Fui morar de aluguel, mas nunca deixei de olhar o mercado para voltar a comprar um imóvel.'
Agora, com a maior oferta de crédito, Silene diz que 'deu sorte' e conseguiu comprar um apartamento como pretendia: com três dormitórios na Aclimação, próximo ao centro. / M.C.
Fonte: Estadão
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